Saturday, October 30, 2004



cacos de verdade que rastejam pelas ruas da misericórdia sem protesto aparente. a luz das lâmpadas apagadas faz uma semi-sombra nas pedras da calçada que foram arrancadas no dia anterior com aviso demasiado prévio. a rua desce e sobe sem se cançar, vive na ilusão da rapidez de escolha que os pés fazem passo atrás de passo, podendo assim gritar alegre e suada de tanta alegria que a pisa.

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Thursday, October 28, 2004



depois da tempestade de quem se sente bem, vem a bonança de quem se quer sentir mal. os meus objectivos vivem da minha incerteza perante tudo, principalmente perante mim mesmo; a inspiração já não me habita, tal como a tristeza que me caracteriza(va). Fico à espera de melhores dias de escrita e de piores dias de vida.

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Monday, October 18, 2004



impulsos de fúria que segredam ao meu olhar a minha pouca vontade de viver. vejo-me tremendamente cansado ao olhar de todos os que me olham. detesto esta sensação fisica e mental de cansaço... tudo se une sem se realmente tocar, apetece-me gritar bem alto e dizer para todos se irem embora porque o que eu quero é estar sozinho e adormecer no meu sonho de estar acordado.
aborrece-me o facto de haverem regras pré-estabelecidas sobre o que cada um é suposto fazer, pensar ou dizer, isto é, toda a gente está presa na sua própria cabeça... serramos, sem saber, as grades da nossa prisao na Liberdade do nosso pensamento.

apetece-me berrar e mandar todos para o caralho.

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Saturday, October 16, 2004

mãos nos bolsos

que contínua melancolia é esta que me assombra nas noites em que apenas estou acompanhado de mim próprio? são estas musicas que desaguam os meus olhos em lágrimas e as minhas lágrimas em palavras, são elas. é mais do que uma tristeza que gela o pensamento com riscos a cinzento e com fumo negro.
perco-me na beleza deste estado.

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Thursday, October 14, 2004



tenho saudades minhas.

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Monday, October 11, 2004



quem desviar primeiro o olhar perde, nunca jogaram? centenas de pessoas na rua a ziguezaguear tentando prevalecer o seu olhar perante todos os outros. é estúpido. é como um macho que tenta defender o seu território de todos os outros oponentes do mesmo sexo para conseguir ficar com a melhor fêmea da tribo, neste caso de uma gaja gira, sem pêlos nas axilas que vai tentar levar para a cama para dar uma queca descomunal, pensa ele. a verdade é que o mundo não passa de gente envergonhada que não consegue chegar ao pé de uma outra, de preferência de sexo oposto, e dizer: "queres sair comigo?". enfim, a possibilidade de insucesso é enorme, mas por outro lado sempre é maior que aquele olhar rasgado para a rapariga loira que num relance conseguimos reparar que não tinha aliança.

Posted by Smile :: 11:54 PM :: 4 comments

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Hallelujah

I heard there was a secret chord
That david played and it pleased the lord
But you don't really care for music, do you
Well it goes like this the fourth, the fifth
The minor fall and the major lift
The baffled king composing hallelujah

Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah ....

Well your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you to her kitchen chair
She broke your throne and she cut your hair
And from your lips she drew the hallelujah

Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah .... .

Baby i've been here before
I've seen this room and i've walked this floor
I used to live alone before i knew you
I've seen your flag on the marble arch
But love is not a victory march
It's a cold and it's a broken hallelujah

Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah ....

Well there was a time when you let me know
What's really going on below
But now you never show that to me do you
But remember when i moved in you
And the holy dove was moving too
And every breath we drew was hallelujah

Well, maybe there's a god above
But all i've ever learned from love
Was how to shoot somebody who outdrew you
It's not a cry that you hear at night
It's not somebody who's seen the light
It's a cold and it's a broken hallelujah

Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah ....

Jeff Buckley. Hallelujah

~

Hoje sou isto.

Posted by Smile :: 1:37 PM :: 2 comments

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beija-me, beija-me...

quero sentir as iniciais do teu nome marcadas no meu coração como beijos que apenas se sentem de olhos fechados. não me interessa se a eternidade restringe-se a um simples momento onde sou feliz, desde que os meus lábios toquem os teus. sinto a falta do bater desorganizado do meu coração sempre que te vê e de todo o medo que se impõe sempre que penso que pode ser a ultima vez, a derradeira vez que vou deixar a minha alma ir abraçar a tua numa musica sem inicio e sem fim.

é ar-te sem pensar em.

Posted by Smile :: 3:55 AM :: 4 comments

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Sunday, October 10, 2004



vasta como o mundo, a felicidade é mais água do que terra, e depois? existem sempre as ilhas no meio de nada que nos fazem ter tudo. irónico? não... muito irónico? sim.

De que vale seguir linhas e traços pré-definidos se não é esse o nosso caminho? De que vale seguir vozes e palavras se não são nossas? De que vale ter medo de morrer se não tivemos medo de nascer? De que vale pensarmos se o que interessa é a maneira como agimos? De que vale querer sonhar quando dormimos, se os sonhos mais belos são aqueles que temos quando estamos acordados? De que vale ter medo de chorar se não temos medo de amar?

- De nada.

Posted by Smile :: 10:43 PM :: 1 comments

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ninguém sabe quem sou e eu ali, diluído no meio de mil pessoas, de mil identidades. a minha solidão enche-se de personalidades efémeras que entram e saem da minha memória sem deixar rasto; gosto de ser invadido por multidões de sentimentos confusos e de olhares vidrados para o chão. tudo tem um destino, eu apenas procuro pela minha partida. Que metro é este que eu não consigo encontrar a minha saida?

Posted by Smile :: 7:10 PM :: 1 comments

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padeço de uma tal nostalgia crónica que me enforca a respiração a cada instante, mesmo tendo os pés bem seguros ao chão. é uma onda de fumo que deveria ter morrido na praia, mas que conseguiu subir montes e vales à procura de um lugar impróprio para morrer: em mim. não me tormento de atrair a tristeza que necessito, aliás, a minha felicidade trata-se disso mesmo, de estar assim comigo próprio. Tristeza e Felicidade para mim têm um sentido único: viver. são coisas que gosto e que desgosto ao mesmo tempo, estão ambas na lista que peço ao pai natal todos os anos e que a fada dos dentes me traz e põe debaixo da almofada.

o que sou nem eu sei.

Posted by Smile :: 5:36 PM :: 2 comments

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Sonho

Que sonho é acordado
nesta vida de sonhar?
É um desejo começado
da terra poder voar.

Indefinida ao anoitecer
amanhece em perfeição:
a vida é um mar de querer
e as ondas o bater do coração.

A essência de ser poeta
vive entre a dor e o amor
de nascer para ser profeta;
ser Homem é ser sonhador.

- Alexandre Brito @ 3/6/03

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Saturday, October 09, 2004



o meu olhar vive pintado a preto e branco
dentro de uma esfera de silêncios coloridos,
amarrado a estas lágrimas que choram tanto
num refúgio de mil sorrisos não arrependidos.

sentidos que morrem na véspera da felicidade,
esperando pelo milagre da eterna coincidência;
não entendo mas acredito nesta busca pela verdade
que me leva a viver na minha própria iminência.

Posted by Smile :: 7:41 PM :: 2 comments

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obrigado

porque é que os milhares de quilómetros que nos separam não apagam a memória que eu tenho de ti? é injusto ter de sonhar dentro de sonhos e no final de contas estar terrívelmente acordado, é injusto. não perdi o teu rosto nem o teu toque, ficaram cá dentro os momentos que já foram presente e que agora não passam de lágrimas que por vezes caem dos meus olhos sem razão aparente. não vale a pena gritar o teu nome mais alto do que a voz permite, não vale a pena chorar dias sem fim à espera de uma invenção milagrosa, mas sem dúvida, não vale a pena estas palavras que jamais irão explicar o que se passa dentro de mim.

Tudo isto para quê? se no final de contas não lês o que eu escrevo, e mesmo que lesses não irias entender uma simples palavra.

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Friday, October 08, 2004

de costas

as folhas caem das árvores consoante as badaladas do pôr-do-sol. fico ali sentado, de costas para um miradouro, a ver a paz dos movimentos daquilo que não tem dono. não me dou pelo tempo passar na estrada, estou desconfortavelmente sentado mas não é isso que me interessa; vagueio por caminhos e olhares desconcertantes para chegar a uma simples folha a pairar, beijada pelo crepúsculo do momento.

aproveito a magia de cada momento.

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mata-me

mata-me com beijos e lamechices, mata-me com o teu sorriso angelical e com o teu ar de puta preferida, mata-me com mensagens sem conteúdo e com toques ás 3:33:33 da manhã, mata-me com promessas sem amanhã e sem depois de amanhã, mata-me com olhares tristes e com suspiros melancólicos, mata-me com mentiras e com mais mentiras... mas mata-me... mata-me já!

Posted by Smile :: 9:54 PM :: 3 comments

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Thursday, October 07, 2004



Nunca te iludas com as imitações baratas de felicidade que os olhos te dão, espera sempre pelo outro olhar que não se vê mas que clarifica todas as coisas sem que te apercebas. Espera pelo amor numa escada sem vão.

~

Não queria pisar as pequenas pedras pretas, andava meio a saltitar na calçada para não pisá-las, são daquelas coisas que nos ficaram de criança; as pessoas olhavam, estava-me completamente a cagar. No final da rua lá estava a casa que tinha vindo ver, o dia estava demasiado nublado para o meu gosto, sol nem vê-lo, quanto mais aquele calor de tipica manhã de verão. Cheguei à casa, isto é, ao apartamento no alto de um quinto andar com vista para basicamente nada. Um quarto, uma sala minuscula e claro, a essencial casa de banho com não mais de 6 metros quadrados bem medidos. O homem que estava a mostrar o meu futuro ninho de confusões bem se esforçava em fazer milagres da casa, mas as palavras simplesmente são o que são e sinceramente ele não tinha grande poder oratório. Enfim, o que foi para ver foi visto e eu claro, fiquei com a grande mansão.

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Monday, October 04, 2004



Procuro-te. Esta minha insaciável quimera provavelmente nunca irá ter fim - não desisto. Em cada esquina, em cada canto, vasculho o olhar de todos aqueles que não pestanejam, estarás no meio do lixo que ainda não foi recolhido. Percorro a estrada e a sua berma com medo que algo me escape por entre estas mãos feridas pela esperança. Percorro este presente sempre em busca dessa identidade ainda sem rosto, desenhando e voltando a desenhar cada pormenor até à exaustão. Não quero provocar a ocasião, mas também não quero atrasar esse momento, quero enganar-me com as palavras, mas acertar com os sentimentos. O orgulho de vencer continua a dar-me forças para procurar-te por todos os lugares, infelizmente esse reflexo ainda não me chegou. Moldo cada vez mais esta mentira, esperando que um dia se torne verdade.

- Alexandre Brito @ 23/3/04

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aDeus

abraça-me com o teu silêncio e com a tua alegria... não quero saber das coisas que giram à volta e das coisas que giram dentro de mim, quero a perfeição do teu olhar em mim, quero a perfeição do teu toque na minha cara, quero-te a ti, só a ti.

as memórias são como facas afiadas prestes e cair em cima do coração, vivem no limite das nossas capacidades de recriar momentos. acredito que cada dia seja uma pagina, ilustrada ou não, de um grande livro, não de uma vida, mas sim de todas as vidas que percorremos; capa dura concerteza, com todas as experiencias e todos os sentimentos vividos, palavras não... as palavras são a mentira de que toda a gente gosta e de que toda a gente insiste em afirmar que é a forma mais pura de expressão. Apenas as uso porque ainda é impossível fotografar a minha alma e postá-la aqui neste blog que ninguém lê.

Posted by Smile :: 4:25 PM :: 4 comments

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Da morte, a luz da vida
aquece a cada instante
o sangue que passa
em cada veia de tudo
o que respira.

~

Ao pôr-do-sol pela sua pontualidade,
à lua pelas suas fases esquizofrénicas,
ao silêncio no seu estado puro,
ás musicas com que o meu espírito delira,
ao fim-de-semana em toda a sua grandiosidade
e à vizinha que não conheço,

o meu Obrigado, são vocês que me expiram dia após dia.

Posted by Smile :: 1:54 PM :: 1 comments

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Sunday, October 03, 2004

forever

a Lua brilhava à velocidade da Luz.

os meus pés afundavam-se na areia, molhada pela água que lambia a berma da praia com toda a sua graciosidade. vagueava tentando acertar os passos com o meu pensamento, tentava alinhar a força de duas pernas, com a força, ou falta dela, de uma mente deformada pela obscuridade de uma vida ainda por viver.

~

morrer de forma triste não me irrita, irrita-me ter viver de forma alegre.

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Saturday, October 02, 2004



Raios de poder a brotar pela mão da eterna inconsciência.

Perdeu-se a venda da espada
e da balança. Mulher de nome,
de principios e de fins.
Morte injustiçada.

Tudo acaba nesta pseudo-Humanidade
de mil rostos divididos...
Que mundos de felicidade são estes?
Erguidos para serem destruidos?

~

Os sinais são as não-coincidências do dia-a-dia.

Posted by Smile :: 7:59 PM :: 2 comments

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